A matilha humana não caça na calada da noite como os seus irmãos lobos.
Caça a qualquer hora, sempre que seja necessário dar o seu golpe fatal, não tem horário nem regras, só se rege pela superioridade dos que estão por cima, dos mais fortes, dos intocáveis. Faz o que quer, quando quer, como quem manda gosta de fazer, humilha, entristece, e faz sofrer.
Matam-se os lobos na floresta, acusados de serem os mensageiros do Mal, pela covardia do Homem, o seu cruel adversário, que tudo extermina sem remorsos, sem consciência, se isso servir ao seu ideal.
Caçamos as bestas por simples prazer, como um prémio, como um troféu, gabamo-nos de feitos atrozes que nos fazem ser cada vez mais, entre todos os animais, as criaturas mais ferozes.
15 Setembro 2006