As cartas que nunca enviamos...
Pagaste com amargura, as hipoteses de aventura, que um dia ofereci
até projectos de trabalho, viagens ao império dos sentidos, por nós foram alvitradas, mas teu coração ferido, pelo que te fez a vida, não deixa que nada penetre.
As muralhas da raiva te tornaram assim: sem capacidade de ver o que é mau ou bom.
Banalizaste algo que podia ser grande na perspectiva dos nossos sonhos,
não me separaste das dores antigas, não aceitaste nenhuma das minhas oferendas,
por medo? por receio de mais um quarto vazio no hotel da tua vida ?
Tudo sou capaz de entender, aliás, entendi o todo que és, desde o primeiro momento. Tentei então ajudar.
Não por pena, mas por querer fazer-te bem, por gostar do hipotético antevisto, por te querer.
Não mergulhaste na essência óbvia do que sou e da oferta de amizade intensa e sincera.
Tudo fizeste para que nada desse certo, e do meu peito aberto roubaste a confiança.
Disseste que abriste a caixa das lembranças e me contaste o incontavel,
o que nunca tinhas feito antes, e nesse mesmo instante, eu acreditei em ti
e te confesso, perdi, o próprio discernimento, mas nunca foi fingimento
tudo aquilo que te disse, pena que tu não visses, nem disso tirasses partido,
nas minhas viagens contigo, eu cheguei a um tal estado de alegria, sem saber que se escondia, por trás das tuas palavras, mentiras que talvez tu própria não saibas nem te apercebas de tal, e continuas a tratar mal, aqueles que te entendem, que inventam tempo em suas vidas, para reinventarem a alegria que em ti anda perdida.
Nunca sentiste por mim, nada do que disseste, e vejo que não quiseste ser nada importante no fim...
Sei bem que estas palavras, serão lidas banalmente, pois tu és indiferente a tudo que represento, e na vida que vivi, nunca tinha encontrado, alguém que tivesse enganado o que eu pensei saber da vida. A minha suposta experiência, não conseguiu descobrir, o que trazias por dentro.
Lamento mulher, lamento, que tenhas tanta amargura, que a vida tenha sido dura
que te deixasse sofrer, mas esqueceste uma coisa; não merecia ser esquecido...
No meio da tua dor, as vezes pode o amor, querer fazer-te feliz, dar-te um pouco de conforto, de alegria, devolver o teu “caminho”. Foi só isso que tentei.
Agora vejo que errei, perdoa a minha estupidez, a falsa sabedoria,
pensei que via e não via, o que devia ter visto, ninguém teve culpa nisto, a culpa é coisa dos culpados. Eu nada fiz de errado, para ser tratado assim, não confiaste em mim, estás no teu pleno direito. Só tenho pena que tu, tão vivída e maltratada, não tivesses visto nada, nada do pouco que sou, nem que os passos que dou, são plenos de tranquilidade.
Perdoa, se por um momento, eu tenha pensado também, que podia fazer-te bem
Com a minha esperança, com o que ainda vive em mim, a minha Alma criança.
Só te peço uma coisa, não penses o que não “é”, nem inventes “um” outro eu.
Ja disse e volto a dizer, eu sempre estive ao teu lado.
Talvez por acreditar, que tu “vias” quem eu sou, possa ter feito tudo ao contrário, e o que eu pensava ser certo, só viva no meu pensamento. Pois cada um de nós é único, na essência do seu fado.
Como disse mulher, eu lamento, que tentando fazer certo tenha feito tudo errado.....
Fernando Girão
13 outubro 2008